DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO
LIONS, NÃO É DIFERENTE!
PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI (*)
“Se um espinho me
fere, afasto-me do espinho... mas não o detesto.”
A frase acima é atribuída a José Marti (1853-1895), poeta, pensador e
herói nacional de Cuba (foi o principal arquiteto pela independência daquele
país contra o domínio espanhol). Ela
reflete a filosofia daquele líder sobre o perdão e a preservação da própria paz
interior: a ideia de que devemos nos proteger do mal e de quem nos fere, mas
sem permitir que o ódio ou o rancor tomem conta dos nossos corações.
A citação completa
daquele pensador é: “Se um espinho me
fere, afasto-me do espinho, mas não o odeio.
Se a mão me golpeia, afasto-me da mão, mas não a detesto. Se o homem me ofende, afasto-me do homem, mas
não o amaldiçoo.”
O ato de “afastar-se do espinho” é um imperativo existencial. Filosoficamente, isso se alinha ao esforço
natural de toda pessoa para preservar em seu próprio ser, evitando o que lhe
causa diminuição e tristeza. Marti
sugere que a virtude não está em suportar o sofrimento desnecessário, mas na
sabedoria de identificar o que nos fere e estabelecer uma distância saudável.
A parte final (“mas
não o detesto”) é onde reside a profundidade estóica da frase. O ódio e o ressentimento são vistos como
venenos que consomem aquele que os carrega, e não o objeto do ódio. Ao não detestar o espinho, a pessoa aceita a
natureza do outro e preserva a paz interior.
Para Marti, a alma deve
permanecer pura mesmo diante da agressão.
Detestar o espinho seria permitir que o mal externo corrompesse a sua
integridade interna. Ele nos ensina, com
isso, que a maior vitória sobre quem nos fere não é o revide, mas a indiferença
benevolente; é a capacidade de seguir adiante intacto, sem permitir que a dor
se transforme em amargura.
As divergências são
elementos fundamentais da experiência humana, surgindo da interação entre
indivíduos com perspectivas, valores e história de vida distintos. Isso propõe uma mudança de postura: em vez de
lutar contra a existência do desacordo, deve-se focar em desenvolver
habilidades de comunicação e mediação para que essas diferenças sejam
construtivas, e não destrutivas.
Divergências sempre
ocorreram, ocorrem e ocorrerão no relacionamento humano, pois são inerentes ao
dia-a-dia de todos. E raramente isso
deixa de acontecer, seja no âmbito familiar, entre amigos ou no ambiente de trabalho.
No meio da família
leonística tal fato não é exceção, mormente levando-se em conta que Leões e
Domadoras possuem meio de vida e atividades heterogêneas, têm convicções
próprias, e muitos exercem liderança em suas profissões, o que quer dizer que
costumam conduzir e não serem conduzidos.
Dessa forma, quando um não
aceita serenamente ou respeita a opinião do outro o relacionamento pode
estremecer. Discussões sobre questões
leonísticas são absolutamente normais, quer envolvam problemas administrativos
ou de atividades. Só que qualquer
discussão deve ser mantida em nível elevado, não partindo jamais para o terreno
pessoal.
Já ouvi e até participei de
muitas discussões, algumas homéricas (e, hoje, como me arrependo!). Quantas vezes uma velha amizade não é
estremecida por pura insensatez e culpas recíprocas? Basta um Leão proferir uma frase infeliz e
melindrar outro Leão. Este, por sua vez,
não se contém e revida o insulto.
Pronto, está formada a indesejável contenda! É o surgimento de conflitos interpessoais
dentro de um Lions Clube, destacando como a falta de temperança e o orgulho
podem ferir a harmonia leonística. O
leonismo é fundamentado no companheirismo e no serviço desinteressado. No entanto, essa harmonia pode ser
fragilizada. Um comentário impensado (“frase
infeliz”) pode romper o equilíbrio, revelando que, antes de serem Leões, os
membros do clube são seres humanos suscetíveis a erros de julgamento ou
comunicação. O cerne da contenda não
está apenas em quem ofende, mas na reação do ofendido. Quando o ofendido não se contém e revida, ele
abandona nosso Código de Ética, que prega paciência e compreensão. O revide transforma um deslize individual em
um conflito bilateral. A indesejável
contenda é o resultado de um ciclo: a) A
ofensa (muitas vezes não é intencional, mas nasce da falta de tato); b) O melindre (Ocorre quando o ego se
sobrepõe ao propósito do clube); c) A
retaliação (O momento em que a ética leonistica é esquecida em favor da justiça
própria). Quando uma contenda se
instala, o foco do serviço humanitário é perdido. A energia que deveria ser canalizada para
ajudar a comunidade é desperdiçada em discussões internas, fofocas e divisões
de grupos, o que pode levar a uma desmotivação geral. O significado central do que aqui está
exposto é um alerta para a necessidade de autoeducação e do auto controle. No leonismo, ser Leão exige nobreza de saber
ouvir sem revidar e a humildade de saber pedir desculpas por uma frase
infeliz. A verdadeira força de um Lions
Clube não está na ausência de atritos, mas na capacidade dos seus associados se
superarem em nome de um bem maior.
Outras vezes não há nem
necessidade da discussão para que a polêmica seja aquecida. Basta que o procedimento de um Leão seja
colidente com a posição do outro, mormente quando aquele já conhecia a postura
deste. Pronto, o “caldo certamente vai engrossar”!
Como agir? Simples!
Ou aquele primeiro se desculpa ou justifica, e este último releva a
atitude, perdoa e esquece; ou, agindo como o autor da frase que dá origem a
esta mensagem, afasta-se e não guarda rancores.
Fazendo isso, evita que os demais membros da família leonística tomem
conhecimento do ocorrido e passem a se envolver na disputa. Ademais, essa situação aborda a sensibilidade
das relações interpessoais dentro do clube, destacando que o conflito não nasce
apenas do debate direto, mas da atitude.
A polêmica aqui mencionada surge no momento em que um associado adota um
procedimento que ignora ou desafia frontalmente a posição já estabelecida por
um outro Leão. Isso sugere uma quebra de
ética e de companheirismo, pois a ação passa a ser interpretada como uma
afronta deliberada ou desrespeitosa à convicção alheia.
A sabedoria do nosso “Código de Ética do Leão” (“ser comedido na
crítica e generoso no elogio; construir e não destruir.”) tem, certamente,
tudo a ver quando um espinho fere alguém.
O objetivo desta mensagem é
um alerta sobre o respeito mútuo que deve existir dentro do movimento
leonístico, sugerindo que a ação de um dos seus membros deve considerar o
impacto das suas manifestações sobre os demais, principalmente para evitar
polêmicas que podem paralisar o nosso serviço comunitário.
Um fraterno abraço
leonístico a todas e a todos.
(*) Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)
Ex-Governador
1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-60
Membro
da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil
Confrade
do APLIONS-Apaixonados por Lions
E-mail: andriani.ada@gmail.com
Nenhum comentário:
Postar um comentário