terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO

LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI (*)

 

            “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho... mas não o detesto.”

 

            A frase acima é atribuída a José Marti (1853-1895), poeta, pensador e herói nacional de Cuba (foi o principal arquiteto pela independência daquele país contra o domínio espanhol).  Ela reflete a filosofia daquele líder sobre o perdão e a preservação da própria paz interior: a ideia de que devemos nos proteger do mal e de quem nos fere, mas sem permitir que o ódio ou o rancor tomem conta dos nossos corações.

 

            A citação completa daquele pensador é:  “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho, mas não o odeio.  Se a mão me golpeia, afasto-me da mão, mas não a detesto.  Se o homem me ofende, afasto-me do homem, mas não o amaldiçoo.”

 

            O ato de “afastar-se do espinho” é um imperativo existencial.  Filosoficamente, isso se alinha ao esforço natural de toda pessoa para preservar em seu próprio ser, evitando o que lhe causa diminuição e tristeza.  Marti sugere que a virtude não está em suportar o sofrimento desnecessário, mas na sabedoria de identificar o que nos fere e estabelecer uma distância saudável.

 

            A parte final (“mas não o detesto”) é onde reside a profundidade estóica da frase.  O ódio e o ressentimento são vistos como venenos que consomem aquele que os carrega, e não o objeto do ódio.  Ao não detestar o espinho, a pessoa aceita a natureza do outro e preserva a paz interior.

 

            Para Marti, a alma deve permanecer pura mesmo diante da agressão.  Detestar o espinho seria permitir que o mal externo corrompesse a sua integridade interna.  Ele nos ensina, com isso, que a maior vitória sobre quem nos fere não é o revide, mas a indiferença benevolente; é a capacidade de seguir adiante intacto, sem permitir que a dor se transforme em amargura.

 

            As divergências são elementos fundamentais da experiência humana, surgindo da interação entre indivíduos com perspectivas, valores e história de vida distintos.  Isso propõe uma mudança de postura: em vez de lutar contra a existência do desacordo, deve-se focar em desenvolver habilidades de comunicação e mediação para que essas diferenças sejam construtivas, e não destrutivas.

 

         Divergências sempre ocorreram, ocorrem e ocorrerão no relacionamento humano, pois são inerentes ao dia-a-dia de todos.  E raramente isso deixa de acontecer, seja no âmbito familiar, entre amigos ou no ambiente de trabalho.

 

         No meio da família leonística tal fato não é exceção, mormente levando-se em conta que Leões e Domadoras possuem meio de vida e atividades heterogêneas, têm convicções próprias, e muitos exercem liderança em suas profissões, o que quer dizer que costumam conduzir e não serem conduzidos.

 

         Dessa forma, quando um não aceita serenamente ou respeita a opinião do outro o relacionamento pode estremecer.  Discussões sobre questões leonísticas são absolutamente normais, quer envolvam problemas administrativos ou de atividades.  Só que qualquer discussão deve ser mantida em nível elevado, não partindo jamais para o terreno pessoal.

 

         Já ouvi e até participei de muitas discussões, algumas homéricas (e, hoje, como me arrependo!).  Quantas vezes uma velha amizade não é estremecida por pura insensatez e culpas recíprocas?  Basta um Leão proferir uma frase infeliz e melindrar outro Leão.  Este, por sua vez, não se contém e revida o insulto.  Pronto, está formada a indesejável contenda!  É o surgimento de conflitos interpessoais dentro de um Lions Clube, destacando como a falta de temperança e o orgulho podem ferir a harmonia leonística.  O leonismo é fundamentado no companheirismo e no serviço desinteressado.  No entanto, essa harmonia pode ser fragilizada.  Um comentário impensado (“frase infeliz”) pode romper o equilíbrio, revelando que, antes de serem Leões, os membros do clube são seres humanos suscetíveis a erros de julgamento ou comunicação.  O cerne da contenda não está apenas em quem ofende, mas na reação do ofendido.  Quando o ofendido não se contém e revida, ele abandona nosso Código de Ética, que prega paciência e compreensão.  O revide transforma um deslize individual em um conflito bilateral.  A indesejável contenda é o resultado de um ciclo:  a) A ofensa (muitas vezes não é intencional, mas nasce da falta de tato);  b) O melindre (Ocorre quando o ego se sobrepõe ao propósito do clube);  c) A retaliação (O momento em que a ética leonistica é esquecida em favor da justiça própria).  Quando uma contenda se instala, o foco do serviço humanitário é perdido.  A energia que deveria ser canalizada para ajudar a comunidade é desperdiçada em discussões internas, fofocas e divisões de grupos, o que pode levar a uma desmotivação geral.  O significado central do que aqui está exposto é um alerta para a necessidade de autoeducação e do auto controle.  No leonismo, ser Leão exige nobreza de saber ouvir sem revidar e a humildade de saber pedir desculpas por uma frase infeliz.  A verdadeira força de um Lions Clube não está na ausência de atritos, mas na capacidade dos seus associados se superarem em nome de um bem maior.

 

         Outras vezes não há nem necessidade da discussão para que a polêmica seja aquecida.  Basta que o procedimento de um Leão seja colidente com a posição do outro, mormente quando aquele já conhecia a postura deste.  Pronto, o “caldo certamente vai engrossar”!   Como agir?  Simples!  Ou aquele primeiro se desculpa ou justifica, e este último releva a atitude, perdoa e esquece; ou, agindo como o autor da frase que dá origem a esta mensagem, afasta-se e não guarda rancores.  Fazendo isso, evita que os demais membros da família leonística tomem conhecimento do ocorrido e passem a se envolver na disputa.  Ademais, essa situação aborda a sensibilidade das relações interpessoais dentro do clube, destacando que o conflito não nasce apenas do debate direto, mas da atitude.  A polêmica aqui mencionada surge no momento em que um associado adota um procedimento que ignora ou desafia frontalmente a posição já estabelecida por um outro Leão.  Isso sugere uma quebra de ética e de companheirismo, pois a ação passa a ser interpretada como uma afronta deliberada ou desrespeitosa à convicção alheia.

 

         A sabedoria do nosso “Código de Ética do Leão” (“ser comedido na crítica e generoso no elogio; construir e não destruir.”) tem, certamente, tudo a ver quando um espinho fere alguém.

 

         O objetivo desta mensagem é um alerta sobre o respeito mútuo que deve existir dentro do movimento leonístico, sugerindo que a ação de um dos seus membros deve considerar o impacto das suas manifestações sobre os demais, principalmente para evitar polêmicas que podem paralisar o nosso serviço comunitário.

 

         Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

(*)       Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)

                Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-60

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

 

 

 

                                                          

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