terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO

LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI (*)

 

            “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho... mas não o detesto.”

 

            A frase acima é atribuída a José Marti (1853-1895), poeta, pensador e herói nacional de Cuba (foi o principal arquiteto pela independência daquele país contra o domínio espanhol).  Ela reflete a filosofia daquele líder sobre o perdão e a preservação da própria paz interior: a ideia de que devemos nos proteger do mal e de quem nos fere, mas sem permitir que o ódio ou o rancor tomem conta dos nossos corações.

 

            A citação completa daquele pensador é:  “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho, mas não o odeio.  Se a mão me golpeia, afasto-me da mão, mas não a detesto.  Se o homem me ofende, afasto-me do homem, mas não o amaldiçoo.”

 

            O ato de “afastar-se do espinho” é um imperativo existencial.  Filosoficamente, isso se alinha ao esforço natural de toda pessoa para preservar em seu próprio ser, evitando o que lhe causa diminuição e tristeza.  Marti sugere que a virtude não está em suportar o sofrimento desnecessário, mas na sabedoria de identificar o que nos fere e estabelecer uma distância saudável.

 

            A parte final (“mas não o detesto”) é onde reside a profundidade estóica da frase.  O ódio e o ressentimento são vistos como venenos que consomem aquele que os carrega, e não o objeto do ódio.  Ao não detestar o espinho, a pessoa aceita a natureza do outro e preserva a paz interior.

 

            Para Marti, a alma deve permanecer pura mesmo diante da agressão.  Detestar o espinho seria permitir que o mal externo corrompesse a sua integridade interna.  Ele nos ensina, com isso, que a maior vitória sobre quem nos fere não é o revide, mas a indiferença benevolente; é a capacidade de seguir adiante intacto, sem permitir que a dor se transforme em amargura.

 

            As divergências são elementos fundamentais da experiência humana, surgindo da interação entre indivíduos com perspectivas, valores e história de vida distintos.  Isso propõe uma mudança de postura: em vez de lutar contra a existência do desacordo, deve-se focar em desenvolver habilidades de comunicação e mediação para que essas diferenças sejam construtivas, e não destrutivas.

 

         Divergências sempre ocorreram, ocorrem e ocorrerão no relacionamento humano, pois são inerentes ao dia-a-dia de todos.  E raramente isso deixa de acontecer, seja no âmbito familiar, entre amigos ou no ambiente de trabalho.

 

         No meio da família leonística tal fato não é exceção, mormente levando-se em conta que Leões e Domadoras possuem meio de vida e atividades heterogêneas, têm convicções próprias, e muitos exercem liderança em suas profissões, o que quer dizer que costumam conduzir e não serem conduzidos.

 

         Dessa forma, quando um não aceita serenamente ou respeita a opinião do outro o relacionamento pode estremecer.  Discussões sobre questões leonísticas são absolutamente normais, quer envolvam problemas administrativos ou de atividades.  Só que qualquer discussão deve ser mantida em nível elevado, não partindo jamais para o terreno pessoal.

 

         Já ouvi e até participei de muitas discussões, algumas homéricas (e, hoje, como me arrependo!).  Quantas vezes uma velha amizade não é estremecida por pura insensatez e culpas recíprocas?  Basta um Leão proferir uma frase infeliz e melindrar outro Leão.  Este, por sua vez, não se contém e revida o insulto.  Pronto, está formada a indesejável contenda!  É o surgimento de conflitos interpessoais dentro de um Lions Clube, destacando como a falta de temperança e o orgulho podem ferir a harmonia leonística.  O leonismo é fundamentado no companheirismo e no serviço desinteressado.  No entanto, essa harmonia pode ser fragilizada.  Um comentário impensado (“frase infeliz”) pode romper o equilíbrio, revelando que, antes de serem Leões, os membros do clube são seres humanos suscetíveis a erros de julgamento ou comunicação.  O cerne da contenda não está apenas em quem ofende, mas na reação do ofendido.  Quando o ofendido não se contém e revida, ele abandona nosso Código de Ética, que prega paciência e compreensão.  O revide transforma um deslize individual em um conflito bilateral.  A indesejável contenda é o resultado de um ciclo:  a) A ofensa (muitas vezes não é intencional, mas nasce da falta de tato);  b) O melindre (Ocorre quando o ego se sobrepõe ao propósito do clube);  c) A retaliação (O momento em que a ética leonistica é esquecida em favor da justiça própria).  Quando uma contenda se instala, o foco do serviço humanitário é perdido.  A energia que deveria ser canalizada para ajudar a comunidade é desperdiçada em discussões internas, fofocas e divisões de grupos, o que pode levar a uma desmotivação geral.  O significado central do que aqui está exposto é um alerta para a necessidade de autoeducação e do auto controle.  No leonismo, ser Leão exige nobreza de saber ouvir sem revidar e a humildade de saber pedir desculpas por uma frase infeliz.  A verdadeira força de um Lions Clube não está na ausência de atritos, mas na capacidade dos seus associados se superarem em nome de um bem maior.

 

         Outras vezes não há nem necessidade da discussão para que a polêmica seja aquecida.  Basta que o procedimento de um Leão seja colidente com a posição do outro, mormente quando aquele já conhecia a postura deste.  Pronto, o “caldo certamente vai engrossar”!   Como agir?  Simples!  Ou aquele primeiro se desculpa ou justifica, e este último releva a atitude, perdoa e esquece; ou, agindo como o autor da frase que dá origem a esta mensagem, afasta-se e não guarda rancores.  Fazendo isso, evita que os demais membros da família leonística tomem conhecimento do ocorrido e passem a se envolver na disputa.  Ademais, essa situação aborda a sensibilidade das relações interpessoais dentro do clube, destacando que o conflito não nasce apenas do debate direto, mas da atitude.  A polêmica aqui mencionada surge no momento em que um associado adota um procedimento que ignora ou desafia frontalmente a posição já estabelecida por um outro Leão.  Isso sugere uma quebra de ética e de companheirismo, pois a ação passa a ser interpretada como uma afronta deliberada ou desrespeitosa à convicção alheia.

 

         A sabedoria do nosso “Código de Ética do Leão” (“ser comedido na crítica e generoso no elogio; construir e não destruir.”) tem, certamente, tudo a ver quando um espinho fere alguém.

 

         O objetivo desta mensagem é um alerta sobre o respeito mútuo que deve existir dentro do movimento leonístico, sugerindo que a ação de um dos seus membros deve considerar o impacto das suas manifestações sobre os demais, principalmente para evitar polêmicas que podem paralisar o nosso serviço comunitário.

 

         Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

(*)       Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)

                Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-60

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

 

 

 

                                                          

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O LIONS É UM “CLUBE DE SERVIÇO” E NÃO UM “CLUBE BENEFICENTE”

 

O LIONS É UM “CLUBE DE SERVIÇO”

E NÃO UM “CLUBE BENEFICENTE”

 

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

 

 

            A questão é incontroversa e está universalmente sacramentada:  o Lions é um “CLUBE DE SERVIÇO” e não um “Clube Beneficente”.

 

         O conceito de “Clube de Serviço” refere-se a organizações de voluntários dedicados a melhorar suas comunidades por meio e projetos humanitários e sociais, enquanto um “Clube Beneficente” (ou entidade beneficente) foca na prestação direta de auxílio e assistência social a grupos vulneráveis.

 

         Portanto, as principais diferenças entre Clubes de Serviço (como o Lions) e Clubes Beneficentes residem no foco da atuação, no envolvimento dos seus membros e no reconhecimento legal.

 

         Seus foco e abrangência são distintos:  Os Clubes de Serviço possuem um foco amplo em serviço comunitário e liderança.  O objetivo não é apenas dar assistência, mas identificar carências nas comunidades e mobilizar recursos para resolvê-las.  São, geralmente, ramificações de organizações globais com causas estruturadas.  Já os Clubes Beneficentes tem como foco primário a caridade e assistência direta.  Suas ações costumam ser voltadas para a arrecadação de fundos ou doação de bens para indivíduos ou instituições (como orfanatos e asilos), muitas vezes em nível local ou regional.

 

         O envolvimento dos seus membros (associados) também é diferenciado.  Os Clubes de Serviço enfatizam o voluntariado ativo e o desenvolvimento de habilidades de liderança.  O lema do Lions, por exemplo, é “Nós Servimos”, indicando que seus membros devem colocar a “mão na massa” na execução dos seus projetos globais.  Já os Clubes Beneficentes podem funcionar de forma mais passiva, onde o papel principal dos seus membros é o apoio financeiro ou a organização de eventos para arrecadar fundos, sem necessariamente exigir o desenvolvimento de liderança ou uma estrutura hierárquica internacional.

 

         Com relação à estrutura e governança, a distinção também é significativa.  Os Clubes de Serviço possuem estrutura altamente padronizadas e internacionais.  Existem regras rígidas de governança, reuniões periódicas obrigatórias e uma hierarquia que vai do clube local ao nível internacional.  Os Clubes Beneficentes frequentemente são autônomos ou ligados a entidades religiosas ou de classe.  Eles têm maior flexibilidade em suas regras de funcionamento e não costumam prestar contas a uma federação global.

 

         No que tange ao reconhecimento legal e objetivos também existe acentuada diferenciação.  Os Clubes de Serviço são organizações sem fins lucrativos focadas no bem-estar público geral, muitas vezes atuando em órgãos internacionais como a ONU-Organização das Nações Unidas.  Já os Clubes Beneficentes, como aqui no Brasil, muitas vezes são registrados como associações ou fundações com o fim específico de filantropia, visando suprir necessidades imediatas de populações vulneráveis.

 

         Existe, ainda, um outro aspecto que precisa ser considerado: ainda existem muitos Lions Clubes que estão descaracterizando sua atuação e se transformaram em verdadeiros clubes beneficentes.

 

         O Lions é, por definição, uma organização de serviço comunitário.  Isso significa que o foco principal é o trabalho voluntário direto.  Seus associados identificam uma necessidade local e dedicam seu tempo e esforço pessoal para resolvê-la (por exemplo: realizar exames de acuidade visual nas escolas).  Um Lions Clube serve como uma incubadora de líderes comunitários que se envolvem na  governança e execução de projetos.  O objetivo é o empoderamento da comunidade por meio da participação ativa.

 

         Quando um Lions Clube se descaracteriza ele passa atuar prioritariamente como uma entidade arrecadadora de fundos ou doadora.  O foco muda da ação direta para a doação financeira ou de bens (por exemplo: apenas entregar cestas básicas ou assinar cheques para outras entidades.  Seus associados tornam-se “mantenedores” ao invés de voluntários ativos.  O clube passa a atuar como uma entidade filantrópica privada.  A perda da identidade do Leão ocorre porque o convívio e o serviço – pilares do nosso movimento -, são substituídos por uma relação puramente monetária com a causa.  E por que ocorre a descaracterização?:  1) Clubes com associados em idade avançada podem ter dificuldades físicas para ações de campo, optando por doações financeiras;  2) É mais fácil arrecadar dinheiro do que organizar e executar um projeto de serviço complexo;  3) O clube passa a priorizar jantares e festas de confraternização, esquecendo que o evento é o meio, e não a finalidade do Lions.

 

         Para manter a essência, Lions Internacional incentiva que os Lions Clubes atentem para suas Causas Globais (Visão, Fome, Meio Ambiente, Câncer Infantil, Diabetes e as demais), priorizando projetos que exijam a presença e o suor dos associados na linha de frente.

 

         Cabe a cada um de nós fazer com que nossos clubes deixem de ser “Clubes Beneficentes” e se transformem em VERDADEIROS CLUBES DE SERVIÇO.

 

         Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

 

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)

                Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

 

 

 

UMA VISÃO A RESPEITO DOS PROPÓSITOS DO LEONISMO

 

UMA VISÃO A RESPEITO DOS

PROPÓSITOS DO LEONISMO

 

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

 

 

            Embora exista, em nosso meio, uma série de versões para a titulação dos nossos “Propósitos” (em publicações diversas e até mesmo em Nominatas de Clubes, Distritos e Distritos Múltiplos), a verdade é que, no leonismo, o termo oficial e tecnicamente correto para esse conjunto de normas que orientam a atuação de todos os Lions Clubes do mundo é “PROPÓSITOS DE LIONS INTERNACIONAL” (“Purposes of Lions Clubs Internacional”), conforme está definido no Artigo II do Estatuto e Regulamentos da Associação Internacional de Lions Clubes (que teve sua última revisão datada de 18 de julho de 2025).

 

                Aliás, a nível de Clube, esse termo oficial e tecnicamente correto pode ser igualmente observado na página 10 do Estatuto e Regulamentos Padrão de Clube editado pela nossa entidade (que foi revisado em 12 de julho de 2025).

 

                Definida a titulação, vou procurar, modestamente, expor alguns conceitos que obtive através de consultar e pesquisas que realizei.

 

                Os “Propósitos de Lions Internacional” são um conjunto de objetivos fundamentais que orientam a atuação de todos os Lions Clubes no mundo.  Eles definem a conduta ética, a estrutura administrativa e as metas humanitárias de Lions Internacional.

 

                Os principais propósitos abrangem a promoção da compreensão e da paz entre os povos, o incentivo ao bom governo e à boa cidadania, e o engajamento no bem-estar cívico, cultural, social e moral das comunidades.  Além disso, buscam fortalecer a união e o companheirismo entre os Clubes, oferecer um espaço para a discussão livre de temas de interesse público, evitando política partidária e religião sectária, e promover a ética e o serviço voluntário.  Nossa organização também se dedica a criar, gerenciar e padronizar e administração dos seus clubes de serviço.

 

                Os “Propósitos de Lions Internacional” definem a missão administrativa e humanitária da nossa Associação.

                Como tudo começou...

 

                Durante a 3.ª Convenção Internacional realizada em Chicago, Illinois, nos Estados Unidos, de 9 a 11 de julho de 1919, nossa Associação adotou seus “Objetivos”.  Eram determinações estatutárias, em número de seis itens obrigatórios para cumprimento por todos os clubes a ela filiados.  Esses objetivos fundamentais definiam a missão e a conduta ética da nossa organização em todo mundo.  Eles visavam: 1) Promover o entendimento internacional (criar e fomentar um espírito de compreensão entre os povos da terra);  2) Fomentar a cidadania (incentivar os princípios de bom governo e boa cidadania);  3) Bem-estar comunitário (interessar-se ativamente pelo desenvolvimento cívico, cultural, social e moral da comunidade):  4) União entre clubes (unir os clubes por laços de amizade, com companheirismo e compreensão mútua);  5) Livre discussão (proporcionar um fórum para debates sobre assuntos de interesse público, excluindo-se política partidária e religião);  6) Serviço desinteressado e ética (estimular o serviço comunitário sem fins lucrativos pessoais e promover altos padrões éticos em diversas áreas profissionais e comerciais).

 

                Uma significativa mudança no texto do documento ocorreu mais de 88 anos depois...

 

                Durante reunião da Diretoria de Lions Internacional, realizada em Nova Delhi, Índia, nos dias 27 a 30 de setembro de 2007, aquele órgão deliberativo alterou oficialmente a nomenclatura dos seus “Objetivos” para “Propósitos”.  Essa mudança semântica e estrutural visou modernizar as diretrizes da nossa Associação, tornando as determinações estatutárias obrigatórias para todos os clubes.  Além da consolidação dos seis itens anteriores, dois novos itens foram incluídos no início do documento, fortalecendo a estrutura administrativa o operacional da nossa entidade: 1) “Organizar, fundar e supervisionar clubes de serviço que serão conhecidos como Lions Clubes.”;  2) “Coordenar as atividades e padronizar a administração dos Lions Clubes”.  Essa mudança ocorreu durante a gestão do Presidente Internacional Mahendra Amarasuriya (2007-2008), que tinha o lema “Desafio da Mudança” (“Challenge to Change”).

 

(Observações do articulista:  A mudança de “Objetivos” para “Propósitos” nas diretrizes de Lions Internacional reflete uma ênfase sutil, porém significativa, na natureza e motivação das ações da nossa organização, em vez de apenas resultados finais tangíveis.  “Objetivos”, tradicionalmente, referem-se a metas específicas e mensuráveis que se pretende alcançar.  Implica um foco no que precisa ser feito ou completado.  No conceito geral do leonismo, os objetivos incluíam ações como “Organizar, fundar e supervisionar Clubes de serviços”.    Já “Propósitos” denotam a razão de ser, a intenção subjacente ou a missão fundamental da nossa entidade.  A mudança da terminologia enfatiza os princípios orientadores e os valores essenciais que motivam o serviço, como a promoção da paz, da compreensão internacional e o auxílio humanitário.  Resumindo: enquanto os “Objetivos” podem ser vistos como metas concretas e atingíveis, os “Propósitos” representam a filosofia e a identidade dos Lions Clubes, que guiam a conduta e as atividades dos seus associados de forma contínua e atemporal.  A mudança direcionou o foco para o espírito de servir e a razão pela qual os clubes realizam suas atividades, e não apenas as atividades em si.)

 

                Assim, atualmente, os “Propósitos de Lions Internacional” estão configurados nos seguintes nos seguintes itens:

 

                1.º Propósito:  “Organizar, fundar e supervisionar clubes de serviços a serem chamados de Lions Clubes.”  Este propósito estabelece a base estrutural da nossa Associação.  Sua análise revela três pilares fundamentais de atuação:  1) Ação estruturada: organizar, fundar e supervisionar. Este item define que a expansão do leonismo não ocorre de forma aleatória, mas por meio de um processo metodológico.  Organizar refere-se ao trabalho de prospecção e mobilização de líderes comunitários dispostos a servir.  Fundar é o ato formal de dar vida jurídica e institucional a uma nova unidade, conectando-a à rede global.  Supervisionar garante que o clube opere dentro dos padrões éticos e administrativos da nossa entidade, mantendo a unidade de propósito e a integridade da marca Lions;  2) Identidade e unidade: “Chamados de Lions Clubes”.  Ao determinar que os clubes devem obrigatoriamente levar o nome de “Lions Clube”, o propósito assegura uma identidade global única.  Isso permite que, independentemente do país ou cultura, a marca seja reconhecida como símbolo de serviço humanitário confiável;  3) Foco no serviço:  “Clubes de serviço”.  O texto deixa claro que o objetivo da existência dessas unidades não é social ou recreativo em sua essência, mas sim o serviço desinteressado.  A estrutura serve à função: organiza-se ou supervisiona-se para que o trabalho humanitário chegue de forma eficiente àqueles que mais precisam.  Em síntese, este propósito significa que a Associação Internacional de Lions Clubes assume a responsabilidade de ser a “entidade mãe” que provê o suporte logístico e legal para que voluntários locais possam atuar de forma organizada e coordenada mundialmente.

 

                2.º Propósito:  “Coordenar as atividades e padronizar a administração dos Lions Clubes.”  Este segundo propósito estabelece as bases para que a Associação opere como uma rede global coesa e eficiente.  O significado desse propósito pode ser detalhado em dois pilares principais:  1) Coordenação de atividades (sinergia global).  Esse ponto assegura que, embora cada Lions Clube tenha autonomia local, todos trabalhem em direção a objetivos comuns.  A unidade de ação permite que milhares de clubes ao redor do mundo concentrem esforços em causas globais (como visão, diabetes, fome, meio ambiente e câncer pediátrico), gerando um impacto impossível de se alcançar de forma isolada.  Na troca de experiência, a coordenação facilita o compartilhamento de projetos bem sucedidos entre distritos e até mesmo de países.  Quando as atividades são coordenadas, a imagem pública do Lions e reforçada como uma entidade organizada e transformadora, fortalecendo nossa marca;  2) Padronização da administração (governança e transparência).  A padronização não visa burocratizar, mas sim garantir a longevidade e a credibilidade da nossa instituição.  Na continuidade administrativa, o uso de estatutos e regulamentos padrão garante que a transição de diretorias (que ocorre anualmente) seja suave e que o clube não perca o rumo.  Ao seguir normas administrativas uniformes, os clubes asseguram a correta aplicação dos fundos arrecadados junto à comunidade, mantendo a confiança pública (ética e transparência).  A padronização permite que um Leão de qualquer país compreenda a estrutura de um clube em outro continente, facilitando o companheirismo e a colaboração internacional (linguagem comum).  Em resumo, este propósito visa transformar um conjunto de clubes individuais em um movimento global.  Sem coordenação, os esforços seriam fragmentados; sem padronização administrativa, a integridade e a eficiência da nossa organização estariam em risco.

 

                3.º Propósito:  “Criar e fomentar um espírito de compreensão entre os povos da terra.”.  O significado deste propósito pode ser fundamentado nas seguintes ações:  1) Diplomacia de base: Diferentemente de tratados governamentais, o Lions busca a paz através de relações humanas e serviços comunitários que transcendem fronteiras políticas ou religiosas.  A diplomacia de base refere-se a um modelo de relações internacionais conduzidas diretamente por indivíduos, movimento sociais e organizações da sociedade civil, em vez de representantes oficiais do Estado.  A diplomacia de base foca no internacionalismo dos povos e na construção de redes de solidariedade global entre comunidades;  2) Cidadania global: O termo “fomentar” implica uma ação ativa de educar os associados para que vejam o mundo além da sua própria comunidade, promovendo a tolerância e o respeito às diferenças culturais.  A cidadania global é um conceito que descreve o sentimento de pertencimento a uma comunidade humana que transcende as fronteiras nacionais e divisões geopolíticas.  Mais do que um “status” legal ou jurídico, ela é uma atitude e um compromisso ético com o planeta e a humanidade como um todo;  3) Paz através do serviço: Nossa organização acredita que, quando pessoas de diferentes nações se unem para combater a fome, proteger o meio ambiente ou erradicar doenças, as barreiras do preconceito diminuem.  Paz através do serviço é o conceito de que a harmonia social e a resolução de conflitos são alcançados por meio de ações práticas e voluntárias que beneficiam a comunidade.  Em vez de ser apenas a ausência da guerra, a paz é construída ativamente ao reduzir desigualdades e atender as necessidades básicas de outros;  4) Intercâmbio e cooperação.  Este objetivo se materializa em programas como o Intercâmbio Juvenil e o Concurso de Cartaz sobre a Paz, que conectam jovens e adultos em mais de 200 países.  Lions Internacional, em essência, entende que a paz mundial não é apenas a ausência de guerra, mas a presença ativa de compreensão mútua e cooperação internacional.

 

                4.º Propósito:  “Promover os princípios de bom governo e de boa cidadania.”  Este propósito de Lions Internacional foca na responsabilidade cívica e na conduta ética, sem envolvimento em políticas partidárias.  Conforme diretrizes da nossa Associação, o significado deste propósito desdobra-se em:  1) Bom governo: Diferente de governança política, o Lions interpreta “bom governo” como a aplicação de transparência, integridade e justiça na administração de qualquer coletividade.  Ética e transparência significam incentivar que as instituições atuem com honestidade e prestação de contas.  Liderança servidora é desenvolver líderes que priorizam o bem-estar da comunidade em vez de interesses pessoais ou grupos específicos.  Paz e entendimento é apoiar o respeito às leis e aos direitos humanos como base para a estabilidade social;  2) Boa cidadania: Refere-se ao papel ativo do indivíduo na construção de uma sociedade melhor.  Participação ativa é estimular o cidadão a não ser apenas um espectador, mas a contribuir diretamente para solucionar os problemas locais.  Respeito e civismo é cultivar o orgulho pela comunidade, o respeito aos símbolos pátrios e a valorização da herança cultural.  Serviço desinteressado é o conceito de que ser bom cidadão envolve ajudar os menos favorecidos e trabalhar pelo progresso comum.  É fundamental notar que, conforme disposições estatutárias de Lions Internacional, os clubes não devem debater política partidária ou religião sectária;  o foco é o civismo, unindo pessoas de diferentes ideologias em torno de causas humanitárias universais.

 

                5.º Propósito:  “Interessar-se ativamente pelo bem-estar cívico, cultural, social e moral da comunidade.”    Este propósito se fundamenta no conceito de serviço comunitário ativo, baseado nos seguintes pilares:  1) Bem-estar cívico.  Refere-se ao incentivo, à cidadania e ao patriotismo.  O Lions estimula seus associados a participarem da vida pública, respeitarem as leis e colaborarem com o desenvolvimento da infraestrutura e dos direitos civis locais.  Define-se pelo grau de vitalidade de uma comunidade com base na participação ativa, na confiança mútua e na capacidade coletiva de resolver problemas para o bem comum.  Diferentemente do bem-estar individual ou puramente econômico, ele foca em qualidade da vida pública e na força do tecido social;  2)   Bem-estar cultural.  Envolve o apoio às artes, à preservação de tradições e ao acesso à educação.  O objetivo é enriquecer o repertório intelectual da comunidade e promover a tolerância a respeito da diversidade cultural.  O bem-estar cultural é um estado de reflorescimento alcançado quando as necessidades culturais de indivíduos e comunidades são plenamente atendidas;  3) Bem-estar social.  É o núcleo da ajuda humanitária.  Foca na mitigação da fome, no apoio à saúde (especialmente visão), no auxílio a jovens e idosos e na assistência em desastres, visando a justiça social e a equidade.  O bem-estar social é um estado de satisfação coletiva onde os indivíduos de uma sociedade têm acesso às condições básicas para uma vida digna e de qualidade.  Ele abrange dimensões econômicas, sociais e de saúde, frequentemente garantidas por meio de políticas públicas;  4) Bem-estar moral.  Não se trata de impor uma religião, mas de promover a ética, a integridade e o caráter nas relações humanas.  O foco é elevar o padrão de conduta na sociedade e cultivar o espírito de compreensão mútua.  O bem-estar moral refere-se ao estado de harmonia entre as ações de um indivíduo e seus valores éticos e princípios de vida.  Ele ocorre quando a pessoa sente que está agindo com integridade, retidão e em conformidade com o que considera correto ou virtuoso.  Diferente do bem-estar físico ou emocional, o moral está profundamente ligado à dimensão existencial e à satisfação de viver de acordo com uma bússola ética interna.  Em suma, este quinto propósito exige que o Leão não seja apenas um espectador, mas um agente transformador que utiliza sua influência e recursos para elevar a qualidade de vida coletiva.

 

                6.º Propósito:  “Unir os Clubes pelos laços da amizade, companheirismo e compreensão recíproca.”  Este propósito fundamenta a eficácia da nossa Associação no serviço comunitário.  E essa eficácia pode ser representada pelos seguintes princípios:  1) Fortalecimento da rede de serviço.  A amizade e o bom companheirismo não são apenas objetivos sociais; eles servem para manter os voluntários unidos.  Quando há compreensão recíproca, os conflitos diminuem e a cooperação aumenta, permitindo que os clubes executem projetos humanitários maiores e mais complexos.  O fortalecimento da rede de serviço refere-se ao processo de aprimorar a integração, a eficiência e a capacidade de resposta de um conjunto de instituições que trabalham juntas para atender o cidadão;  2) Diversidade e tolerância.  A compreensão recíproca implica aceitar as diferenças individuais, culturais e profissionais entre nossos associados  Isso cria um ambiente de respeito mútuo (valorização das diferentes competências que cada um de nós traz) e unidade na diversidade (focar em nosso objetivo comum de servir, acima de opiniões pessoais ou políticas);  3) Sustentabilidade do voluntariado.  Nosso trabalho voluntário pode ser desafiador.  Os laços de amizade transformam o serviço em uma atividade prazerosa e emocionalmente recompensadora.  Associados que se sentem acolhidos e compreendidos permanecem no clube por mais tempo, garantindo a continuidade do legado do Lions.  A sustentabilidade do voluntariado significa capacidade de manter programas e ações de engajamento social ativos, eficazes e relevantes a longo prazo;  4) Diplomacia e paz mundial.  Em uma escala global, este propósito visa promover a paz.  Ao unir clubes de diferentes nações sob um espírito de fraternidade, o Lions ajuda a derrubar barreiras geográficas e preconceitos, promovendo a harmonia entre os povos.  Diplomacia e paz mundial são conceitos interdependentes fundamentais para a estabilidade das relações internacionais contemporâneas.

 

                7.º Propósito:  “Promover um fórum para livre discussão dos assuntos de interesse público, excetuando-se os assuntos de ordem política e religiosa, os quais não devem ser discutidos pelos associados “NO” Clube.”  Este propósito fundamenta-se no princípio da neutralidade institucional e na busca pelo bem comum.  Essa diretriz está embasada nos seguintes pilares:  1) Promoção do diálogo democrático.  Ao atuar como um “fórum para livre discussão”, o Lions se posiciona como um espaço de civismo.  O objetivo é que nossos associados identifiquem problemas da comunidade (como saúde, fome, meio ambiente) e debatam soluções práticas.  Isso incentiva o exercício da cidadania e a participação ativa na sociedade.  A promoção do diálogo democrático refere-se ao esforço contínuo de criar espaço e condições para que o indivíduo com diferentes visões de mundo possa interagir de forma respeitosa, racional e construtiva.  Mais do que apenas conversar, trata-se de um fundamento político que visa fortalecer a cidadania e a convivência plural.  Em resumo, promover o diálogo democrático é investir na formação de uma consciência política capaz de resolver conflitos por meio da palavra e da negociação, em vez da opressão ou do silenciamento;  2) Preservação da harmonia e pluralidade.  A proibição de debates sobre política partidária e doutrinas religiosas visa proteger a unidade do grupo.  Como o Lions é uma organização global composta por pessoas de diversas origens e crenças, esses temas – que são intrinsecamente divisivos e subjetivos – poderiam gerar conflitos internos, desviando o foco do trabalho humanitário.  A preservação da harmonia e pluralidade demonstra o equilíbrio necessário em uma democracia para que diferentes grupos, ideias e culturas coexistam de forma pacífica e colaborativa, sem que uma visão única se sobreponha às demais;   3) Foco no serviço desinteressado.  A exclusão daqueles dois temas (política partidária e doutrina religiosa) garante que o clube permaneça focado em sua missão de servir.  Ao evitar ideologias, o Lions garante que sua ajuda chegue a quem precisa, independentemente de inclinações políticas ou religiosas, mantendo a credibilidade e isenção da nossa entidade perante a esfera pública.  Fiz questão de destacar neste sétimo propósito a expressão “NO”, pois ainda existem muitas publicações que utilizam “DO”.  “Discutir política e religião no Clube” é uma coisa; “Do Clube” é outra totalmente diferente, que inclusive foge do espírito dos Propósitos.

 

                8.º Propósito:  “Encorajar pessoas com mentalidade de serviço a servir suas comunidades sem recompensa financeira pessoal, e estimular a eficiência e procurar elevado padrão de ética no comércio, serviços públicos e empreendimentos privados.”  Este propósito define a essência de Lions Internacional, focando em três pilares fundamentais para o desenvolvimento social:  1)  Altruísmo e voluntariado (“Servir sem recompensa financeira”).  O texto estabelece que o verdadeiro serviço comunitário deve ser desinteressado.  Ao encorajar a “mentalidade de serviço”, o Lions busca indivíduos motivados pela empatia e pelo impacto social, e não por lucro ou “status”.  Isso garante que as ações de assistência (como combate à fome ou cuidados com a visão) sejam guiadas exclusivamente pelas necessidades na comunidade.  Altruísmo e voluntariado são conceitos complementares que envolvem a dedicação ao próximo, mas operam em dimensões diferentes: uma interna (motivação) e outra externa (ação estruturada).  O altruísmo é frequentemente descrito como a essência do verdadeiro voluntariado.  Enquanto o altruísmo é o sentimento que motiva a ação, o voluntariado é o canal ou a ferramenta através do qual essa motivação se materializa de forma produtiva para a sociedade:  2) Excelência e eficiência (“Estimular a eficiência”).  Nossa organização não vê a caridade como algo amador.  O termo “eficiência” sugere que o serviço social deve ser gerido com profissionalismo, otimizando recursos para que a ajuda chegue ao maior número possível de pessoas.  Para o Lions, ser um bom cidadão também significa ser um executor competente das suas funções.  A distinção entre excelência e eficiência reside na qualidade do resultado final versus a otimização dos recursos utilizados.  Em suma, a eficiência busca a economia e a agilidade; a excelência busca a perfeição e o impacto excepcional;  3) Ética integral (“Elevado padrão de ética”).  Este é o pilar que conecta a vida pública com a privada.  O propósito defende que a conduta ética não deve se limitar ao trabalho voluntário, mas deve permear todas as atividades do indivíduo.  O texto deste Propósito propõe que o Lions Clube não é apenas uma organização de caridade, mas uma escola de liderança ética.  Ele busca formar cidadãos que, ao transformarem a si mesmo através de padrões morais rigorosos, tornam-se capazes de transformar suas comunidades de forma eficaz e sustentável.

 

                Sei que não existe necessidade de esclarecimentos maiores, pois nossa família leonística é bem atenta às questões que envolvem nossos documentos oficiais, mas vale observar, com relação a esta matéria, que os dois primeiros Propósitos incluídos pela Diretoria Internacional na alteração efetivada em 2007, somente tem validade para ela própria e para os Distritos Múltiplos.  Para os Lions Clubes, tecnicamente, os Propósitos continuam sendo seis, ou seja, do 3.º ao 8.º.

 

                E para encerrar, acredito ser crucial diferenciar estes conceitos: Propósitos, Visão e Missão.  Os “Propósitos” são objetivos operacionais e filosóficos.  A Visão é ser o líder global em serviços comunitários e humanitários.  A Missão é empoderar voluntários e parceiros para melhorar a saúde, fortalecer comunidades e apoiar os necessitados.  Os “Propósitos” guiam a neutralidade política e religiosa do Lions em suas ações globais.  Se o bom Deus assim o permitir, pretendo, oportunamente, elaborar uma mensagem estabelecendo a diferenciação desses três conceitos.

 

                Esta mensagem é um registro de parte da nossa história que, modestamente, e sem qualquer outra pretensão, desejava compartilhar com os estimados(as) Leões e Domadoras, especialmente aqueles que ingressaram no movimento mais recentemente.

 

          Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

 

 

 

 

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)

                Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com