sexta-feira, 8 de maio de 2026

A RECIPROCIDADE, NO LEONISMO, É UMA VIA DE MÃO DUPLA DE SERVIÇO E CRESCIMENTO HUMANO

 

 

A RECIPROCIDADE, NO LEONISMO, É UMA VIA DE MÃO DUPLA DE

SERVIÇO E CRESCIMENTO HUMANO

 

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

 



 

            No contexto de pertencimento relacionado com um Lions Clube, a reciprocidade não é entendida como troca de favores comerciais ou interesses pessoais, mas sim como uma via de mão dupla de serviço e crescimento humano.

 

         E tal conceito se manifesta através de três ações principais:

 

1) Amizade desinteressada; 

2) Pertencimento e propósito; 

3) Responsabilidade compartilhada.

 

         O “Código de Ética do Leão” estabelece que a verdadeira amizade deve ser um fim em si mesma, e não um meio para obter vantagens.  Ela não exige retribuição, pois “recebe benefícios com o mesmo espírito desinteressado com que os dá”.

 

         No contexto de um Lions Clube, a amizade desinteressada é um dos pilares da ética leonistica e representa o tipo mais puro de reciprocidade: aquele que não espera nada em troca.

 

         Diferente de uma rede de contatos profissionais, onde se troca favores para benefício mútuo, a amizade no Lions foca no objetivo comum de servir.  O retorno não é financeiro ou de status, mas a satisfação compartilhada de ajudar o próximo.

 

         A reciprocidade mencionada acima é emocional e ética.  Você oferece seu tempo e esforço ao clube e, em troca, recebe o apoio e a camaradagem de outros membros que possuem os mesmos valores.  É um laço que se fortalece pelo trabalho voluntário e não por interesses pessoais ou comerciais.

 

         É a ideia de que a verdadeira união entre os membros surge quando o interesse coletivo (servir à comunidade) supera qualquer ambição individual.

 

         No contexto de um Lions Clube, o pertencimento e propósito são os pilares emocionais que dão sentido à reciprocidade.  Eles funcionam como uma via de mão dupla entre o associado e a nossa organização.

 

         O pertencimento representa a conexão e a identidade.  O associado oferece o seu tempo e esforço e, em troca, recolhe acolhimento, uma rede de amizade (companheirismo) e o sentimento de fazer parte de alguma coisa maior.  É o que transforma um grupo de voluntários em uma comunidade coesa.

 

         Já o propósito é a razão ser da ação.  O clube oferece a estrutura e as causas (como visão, fome e meio ambiente), e o associado entrega sua energia para realizar essas metas.  A reciprocidade aqui é a satisfação pessoal: ao servir o próximo, o voluntário preenche a sua própria necessidade de ser útil e gerar impacto real.

 

         A reciprocidade ocorre porque enquanto o associado ajuda o Lions a cumprir sua missão mundial, o Lions oferece ao associado um canal para expressar seus valores e encontrar um grupo que compartilhe da mesma visão de mundo.

 

         No Lions Clube, a responsabilidade compartilhada dentro da reciprocidade significa que o sucesso de um projeto ou do próprio clube não depende apenas do presidente ou de uma liderança isolada, mas do compromisso mútuo de todos os membros.

 

         Quando você propõe uma causa, o grupo te apoia; em troca, você se compromete a apoiar as causas de outros companheiros.  Ninguém serve sozinho.

 

         Cada Leão é responsável por zelar pela imagem da nossa Associação.  Se um falha com a ética ou o serviço, o impacto recai sobre o grupo todo.

 

         O dever de preparar novos líderes e passar o bastão garante que o serviço à comunidade não pare.  A reciprocidade aqui é geracional: você recebeu orientação e, em troca, deve orientar quem chega.

 

         É o entendimento que eu ajudo o clube a crescer para que o clube tenha força para me ajudar a servir.

 

         Enfim, a reciprocidade no leonismo é o ciclo onde o ato de dar de si mesmo retorna como pertencimento e evolução pessoal.

 

 

 

 

        

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista

                Ex-Governador 1997-1988 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro do Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6

                Associado da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com

quarta-feira, 29 de abril de 2026

O CONCEITO DE “PERTENCIMENTO’ DENTRO DO MOVIMENTO LEONÍSTICO

O CONCEITO DE “PERTENCIMENTO’

DENTRO DO MOVIMENTO LEONÍSTICO

 


 

                                                              

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

 

 

            Como conceituação geral na sociedade, PERTENCIMENTO é a necessidade emocional e social de uma pessoa de se sentir parte de alguma coisa maior como um grupo, comunidade ou sistema (como família, amigos e ambiente de trabalho).  Não é apenas estar incluído em um espaço, mas sim sentir-se aceito e valorizado pela sua essência individual.

 

            O termo despertou minha curiosidade e, como garimpeiro do leonismo, fui atrás de escritos e pesquisas a respeito.  Descobri que existem alguns pontos para definição desse conceito de pertencimento:  1) Identidade e conexão;  2) Acolhimento versus exclusão;  3) Papel social;  4) Saúde mental.

 

            IDENTIDADE E CONEXÃO:

 

            No contexto de pertencimento, esses dois termos funcionam como os pilares que sustentam nossa relação com um grupo ou lugar.

 

            A identidade (ou “quem sou eu” no grupo) é o alinhamento interno.  Significa que você se reconhece nos valores, na história ou nos objetivos daquela comunidade.  É sentir que você não precisa atuar ou esconder para ser aceito.  Exemplo: você se sente parte de um grupo de artistas porque compartilha a mesma visão do mundo e paixão pela criação.

 

            A conexão (ou “como eu me ligo aos outros”) é o vínculo externo e prático.  É a qualidade das interações, o suporte mútuo e a sensação de que você é visto e ouvido.  Exemplo:  não basta ser artista (identidade); você precisa trocar ideias, colaborar e sentir que os outros membros se importam com você (conexão).

 

            Enquanto a identidade é sobre semelhança, a conexão é sobre relacionamento.   O pertencimento real só acontece quando os dois se cruzam:  você se identifica com o grupo (identidade) e sente que tem laços reais e significativos com as pessoas (conexão

            ACOLHIMENTO VERSUS INCLUSÃO:

 

            Dentro do conceito de pertencimento, esses dois termos representam os polos opostos da experiência social de um individuo em um grupo.

 

            Acolhimento é o movimento de abertura e validação.  Significa que o grupo não apenas aceita a presença da pessoa, mas valoriza sua identidade e contribuições.  Para o indivíduo é a sensação de que “eu sou visto, ouvido e seguro para ser quem eu sou”.  O efeito gera segurança psicológica, aumenta a autoestima e fortalece o vínculo emocional com o coletivo.

 

            Exclusão é o movimento de rejeição ou invisibilidade.  Ocorre quando o grupo impõe barreiras (explicitas ou sutis) que impede o indivíduo de se sentir parte do todo.  É aquela sensação de “eu não sou bem-vindo” ou “eu preciso me anular para estar aqui”.  O efeito provoca isolamento, ansiedade e, em níveis biológicos, ativa as mesmas áreas do cérebro responsáveis pela dor física.

 

            O pertencimento só é pleno quando há acolhimento.  Se você está dentro de um grupo, mas não é acolhido, vive uma exclusão interna que costuma ser tão dolorosa quanto ser deixado do lado de fora.

 

            PAPEL SOCIAL:

 

            No contexto do pertencimento, o papel social é a função ou personagem que você assume dentro de um grupo.  É o conjunto de expectativas, direitos e deveres que os outros esperam de você.

 

            O funcionamento dessa relação funciona da seguinte forma:

 

1.     Quando você desempenha bem o seu papel (seja como amigo conselheiro, líder técnico ou caçula da família), o grupo valida sua presença.

 

2.      Sentir que seu papel é necessário gera a sensação de que você é uma peça essencial na engrenagem daquele coletivo.

 

3.     O papel social serve como uma ponte.  Se você sabe o que se espera de você e o grupo entende o seu lugar, o sentimento de fazer parte (pertencimento) se fortalece.

 

            Em síntese, o papel social é como você contribui, e o pertencimento é o sentimento de ser aceito através dessa contribuição.

 

            SAÚDE MENTAL:

 

            Dentro do conceito de pertencimento, a saúde mental significa a percepção subjetiva de estar conectado a grupos, lugares ou propósitos, sentindo-se aceito, respeitado e valorizado por quem você é.  O pertencimento atua como um pilar fundamental da estabilidade emocional, funcionando como um fator de proteção contra o estresse, a ansiedade e a depressão.

 

 

O “PERCENTIMENTO” NO LEONISMO

 

           

Existem inúmeros conceitos, considerações e comentários a respeito da inserção do tema “pertencimento” dentro das atividades do movimento leonístico.

 

            Um deles, dos mais importantes, é que o tema pertencimento é o coração da retenção e do impacto em um Lions Clube.  No contexto leonístico, pertencer vai além de ter um “Pin” na lapela;  trata-se da conexão emocional onde o associado se sente visto, valorizado e essencial para a nossa causa.

 

            E existem várias fases sobre como desenvolver esse conceito dentro das atividades do clube:  o pertencimento como alicerce; a inserção nas atividades práticas; as barreiras a combater e o orgulho de ser Leão.

 

            Para um Leão, o pertencimento nasce da tríade identidade, propósito e amizade.  Quando um associado sente que o grupo compartilha seus valores e que sua ausência seria notada, o compromisso com o serviço voluntário torna-se natural e duradouro.

 

            No Lions Clube, o pertencimento como alicerce refere-se à transformação do clube de um simples grupo de reuniões em uma comunidade de conexão e impacto.  É o conceito de que o clube deve ser um ambiente onde os associados sintam que sua presença faz diferença e que seu tempo é valorizado, servindo como um terceiro espaço entre a casa e o trabalho.

 

            No contexto de um Lions Clube, a inserção nas atividades práticas refere-se ao envolvimento direto e imediato do associado (especialmente o novo associado) nas ações de serviço humanitário e projetos comunitários da nossa Associação.   Em vez de se limitar a reuniões administrativas, a inserção prática busca transformar o ideal de voluntário em resultados concretos para a comunidade.

 

            O sentimento de pertencimento é quebrado quando surgem “panelinhas”, falta de transparência financeira ou quando as tarefas ficam concentradas em poucas pessoas.  O Lions deve ser um espaço de liderança rotativa e inclusiva.  Por esse motivo, dentro de um Lions Clube as barreiras a combater referem-se aos desafios globais e sociais que impedem o bem-estar e o desenvolvimento das comunidades.  Nossa organização foca seus esforços em remover obstáculos que afetam a saúde, a dignidade humana e a inclusão social.

 

            Quando o pertencimento é trabalhado, o resultado é o orgulho.  Um associado que pertence não “vai à reunião”;  ele é um Leão em tempo integral.  E isso atrai novos membros organicamente, pois o entusiasmo é contagiante.  No Lions Clube, o termo “Orgulho de ser Leão” representa a satisfação e o compromisso ético do associado em pertencer ao maior movimento de serviço voluntário do mundo.  Ele é um sentimento compartilhado que dignifica o trabalho humanitário e a liderança comunitária.

 

            Um outro conceito, dos mais significativos, é que no movimento leonístico o pertencimento é o sentimento de conexão emocional e propósito compartilhado que um associado desenvolve em relação ao seu clube e à nossa organização global.  E isso é baseado em três pilares principais: identidade e propósito; acolhimento e companheirismo; voz e participação.

 

            Em nosso movimento, o pilar de identidade e propósito foca na compreensão clara de quem é o Leão e porque ele serve.  O Leão não apenas “está” no clube, ele “é parte de algo maior”.  O sentimento surge quando o associado percebe que seu trabalho voluntário gera um impacto real e que ele compartilha os mesmos valores éticos de servir.  Essencialmente, o objetivo é garantir que cada associado não apenas “esteja” no  clube, mas se veja como parte fundamental de uma missão maior.

 

            O Lions enfatiza que o clube deve ser uma extensão da família.  O pertencimento é fortalecido pelos laços de amizade e pelo suporte mutuo entre os companheiros durante as atividades sociais e o serviço.  Em nosso movimento, o pilar de acolhimento e companheirismo é fundamental para o senso de pertencimento e para a sustentação da missão de servir.  Ele não é apenas um conceito social, mas um dos propósitos estatutários da nossa organização, que visa unir os associados através de laços de amizade e compreensão mútua.  Esse pilar garante que os associados se sintam valorizados e motivados, sendo um dos principais motivos pelos quais as pessoas permanecem no Lions após de associarem.

 

            Um associado sente que pertence quando é ouvido, quando suas ideias são valorizadas e quando ele tem um papel ativo nas decisões e projetos do clube.  Dentro da estratégia de pertencimento do Lions, o pilar voz e participação foca em garantir que cada associado seja envolvido nessas participações.  Essa estratégia faz parte da “Abordagem Global do Quadro Associativo” de Lions Internacional, que visa motivar os associados existentes por meio de um ambiente inclusivo onde todos tem voz.

 

            Existe um outro conceito, igualmente importante, onde se afirma que, no movimento leonístico, o pertencimento é o elo que transforma o voluntariado individual em uma força coletiva fraterna.  Essa conexão baseia-se na transição de ser apenas um “grupo de reuniões” para se tornar em uma comunidade de propósitos.  E os principais pontos dessa conexão incluem: identidade e missão compartilhada; companheirismo e amizade; impacto emocional e orgulho; cultura de família.

 

            O lema “Nós Servimos” cria um senso de unidade.  Ao agir sob esse propósito comum, o associado deixa de ser um voluntário isolado para se tornar parte de uma rede global que engaja mais de 1,4 milhão de Leões.  Em nosso movimento, o conceito de identidade e missão compartilhada é o que transforma um grupo de voluntários em uma unidade coesa.  É o DNA que faz com que um Leão se reconheça em outro, independentemente do país ou cultura.

 

            O pertencimento é reforçado pelos liames da amizade e pela compreensão mútua.  O ambiente do clube é desenhado para ser um espaço acolhedor entre a casa e o trabalho, onde a presença de cada membro é valorizada.  O companheirismo e a amizade não são apenas consequências sociais, mas a base fundamental que sustenta e serviço comunitário.  No Lions, a amizade é o meio e o serviço é o fim.

 

            Pesquisas já realizadas por Lions Internacional indicam que cerca de 90% dos seus associados sentem esse senso de pertencimento, o que eleva a autoestima e gera orgulho por meio de projetos que beneficiam a comunidade local.  O conceito de impacto emocional e orgulho é o motor que transforma o serviço voluntário em uma experiência de pertencimento profundo.  Ele se baseia na conexão entre a ação externa (ajudar o próximo) e a transformação interna do associado.

 

            Nosso movimento se descreve frequentemente como uma “família fraterna”, onde um ajuda o outro, criando conexões que transcendem as atividades de serviço.  O conceito de cultura e família é o alicerce que transforma o serviço voluntário em um senso de pertencimento.  Ele não se refere apenas ao parentesco biológico, mas a um ambiente de valores compartilhados.

 

            Fortalecer o senso de pertencimento em um Lions Clube exige integrar o propósito de servir com a valorização individual de cada Leão.  Segundo orientações de Lions Internacional e práticas de gestão de voluntários, o foco deve estar em fazer com que o associado se sinta parte de uma família que gera impacto real.

 

            Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista

                Ex-Governador 1997-1988 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro do Conselho de Ex-Governadores do Distrito LC-6

                Associado da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com 














https://distritolc6.org.br/instrucoes-leonisticas/o-conceito-de-pertencimento-dentro-do-movimento-leonistico/

segunda-feira, 23 de março de 2026

O CONCEITO DE LIDERANÇA NA GESTÃO DE UM LIONS CLUBE

 

 

O CONCEITO DE LIDERANÇA

NA GESTÃO DE UM LIONS CLUBE

 

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI  (*)

 

 

            A aplicação do conceito de liderança na gestão de um Lions  Clube afiliado a Lions Internacional significa transformar nosso lema “Nós Servimos” em ações coordenadas que motivem seus associados e gerem impacto social.

 

            No leonismo, liderar não é unicamente ocupar um cargo, mas a arte de influenciar pessoas a atingirem objetivos comunitários comuns. 

 

            Então, qual é o significado da aplicação da liderança na rotina técnica e administrativa de um Lions Clube?

 

            No âmbito clubístico, a gestão eficaz exige um certo equilíbrio entre a administração organizacional e a inspiração do voluntariado.  E a participação do líder é fundamental na aplicação desse processo, observando o estabelecimento das seguintes etapas:

 

1.     Como o líder deve estabelecer conceitos de visão e meta.

2.     A comunicação e escuta ativa pela liderança.

3.     O conceito de capacitação e mentoria para um líder.

4.     Como o líder deve gerir reuniões e conflitos.

5.     O exemplo pessoal de uma liderança.

 

Vou tentar esclarecer as etapas acima, baseado em pesquisas realizadas.

 

1.     COMO O LÍDER DEVE ESTABELECER CONCEITOS DE VISÃO E META:

 

            Para um líder leonístico, o estabelecimento de visão e metas é o processo estratégico de definir para onde o clube deve ir e quais passos concretos serão dados para chegar lá.  É a base para transformar nosso lema em impacto real na comunidade.  E Lions Internacional é muito claro ao estabelecer o que significa cada um desses conceitos:

 

            ESTABELECIMENO DE VISÃO.  A visão é a imagem mental do sucesso futuro do Lions Clube.  Para um líder, ter visão significa:  a) Ir além do presente (ele identifica as necessidades da comunidade      que ainda não estão sendo atendidas);  b) Inspirar a equipe (ele cria um propósito comum que motive os associados a se engajarem);  c) Alinhamento global (ele conecta as aspirações locais à nossa visão internacional de ser o líder global em serviços comunitários e humanitários)

 

            ESTABELECIMENTO DE METAS.  As metas são os alvos específicos que tornam a visão alcançável.  Elas geralmente seguem o modelo SMART (específicas, mensuráveis, atingíveis, relevantes e com prazo determinado) e focam em áreas principais:  a) Crescimento – Missão 1.5 (metas para aumentar o quadro associativo e fundar novos clubes para ampliar o alcance do serviço);  b) Serviço (objetivos quantificáveis de pessoas atendidas em nossas causas globais;  c) Liderança (planos para treinar novos dirigentes e garantir a sucessão dentro do clube).   (Observação do articulista:  O termo SMART apareceu pela primeira vez em artigo publicado na edição de novembro de 1981 da revista Management Review, de autoria de George T. Doran (1922-2020).  Doran era um especialista em planejamento estratégico e acreditava que a maior dificuldade das empresas não era a falta de visão, mas sim a incapacidade de transformar essa visão em passos práticos e mensuráveis para os funcionários.  Embora a metodologia seja amplamente utilizada nos dias de hoje em contextos de produtividade pessoal, Doran a concebeu originalmente para o ambiente corporativo).

 

            O PROCESSO DE LIDERANÇA.  Lions Internacional recomenda uma abordagem estruturada em quatro etapas para o sucesso:   1) Criar uma equipe (reunir líderes atuais e futuros para diversificar perspectivas);  2) Definir a visão e metas (avaliar as necessidades do clube e da comunidade);  3) Criar um plano (desenvolver estratégias de ação para atingir as metas);  4) Criar sucesso (executar o plano e celebrar as conquistas).

 

2.     A COMUNICAÇÃO E ESCUTA ATIVA PELA LIDERANÇA:

 

            Para um líder leonístico, a comunicação e a escuta ativa são as ferramentas fundamentais para colocar em prática nosso lema e os objetivos de Lions Internacional, como promover o entendimento e a união entre os associados.

 

            Essas competências são normalmente ensinadas em programas como o Emerging Lions Leadership Institute (ELLI) de Lions Internacional.  (Observação do articulista: Este é um programa de treinamento intensivo de três dias projetado pela nossa Associação, destinado a preparar Leões e Leos para assumirem funções de liderança, especialmente no nível de clubes).  Referidas competências significam:

 

            COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA.  Não se trata apenas de falar, mas de criar conexões relevantes.  Para o líder, isso envolve:  a) Identificar estilos (adaptar a mensagem aos diferentes perfis de associados para garantir que a visão do clube seja compreendida);  b) Gestão humanizada (usar a comunicação para motivar o grupo a seguir padrões de comportamento e atingir metas humanitárias);  c) Transparência (evitar a omissão de informações, o que constrói confiança e engajamento dentro do clube).

 

            ESCUTA ATIVA COMO AÇÃO.  Diferente de apenas ouvir, a escuta ativa é uma decisão consciente de estar corpo e alma presente.  Para um líder Lions, isso implica:  a) Compreensão mútua (atender as necessidades da comunidade e dos companheiros ouvindo além das palavras, captando a comunicação não verbal;  b) Resolução de conflitos (ouvir atentamente permite identificar problemas antes que escalonem, promovendo a cooperação e o bom companheirismo);  c) Fortalecimento de vínculo (demonstrar que a perspectiva do outro é valorizada, o que é essencial para unir o clube por laços de amizade).

 

3.     O CONCEITO DE CAPACITAÇÃO E MENTORIA PARA UM LÍDER:

 

            Para um líder leonístico, esses conceitos são pilares do desenvolvimento de liderança da nossa Associação, focados em fortalecer o serviço humanitário.

 

            CAPACITAÇÃO.  Refere-se ao treinamento técnico e prático para exercer funções específicas.  Lions Internacional  oferece institutos e cursos formais para preparar o líder para os desafios de gestão:  a) Institutos de Liderança (como o ELLI – Leões Emergentes – para futuros presidentes, e o RLLI – Regional – para líderes distritais;  b) Habilidades de gestão (inclui aprender sobre administração de clubes, motivação de equipes, planejamento de projetos de serviços e oratória);  c) Certificações (programas como o LCIP formam instrutores com certificados para replicar o conhecimento.

 

            MENTORIA.  É um relacionamento colaborativo onde um Leão experiente (mentor) guia outro associado (mentorado) em sua jornada leonística.  O Programa de Mentoria de Lions Internacional é estruturado em dois níveis:  a) Programa básico: Focado na integração do novo associado, ensinando a história, os objetivos e desenvolvendo o compromisso com o clube;  b) Programa avançado: Voltado para o desenvolvimento de resultados  e liderança em níveis mais altos (distrital ou internacional), preparando o Leão para cargos de maior responsabilidade.

 

            Em resumo, enquanto a capacitação entrega as ferramentas e o conhecimento técnico, a mentoria oferece o suporte interpessoal e a sabedoria prática para que o líder aplique essas ferramentas com eficácia.

 

4.     COMO O LÍDER DEVE GERIR REUNIÕES E CONFLITOS:

 

            Para um líder leonístico, esses conceitos representam o equilíbrio entre a eficiência operacional e a harmonia entre os associados, fundamentais para cumprir o lema “Nós Servimos”.

 

            GESTÃO DE REUNIÕES.  No Lions, uma reunião bem gerida não é apenas um encontro administrativo, mas uma ferramenta de motivação e produtividade, que visam:  a) Eficiência e foco:  O líder deve seguir uma pauta clara para garantir que os projetos de serviço sejam discutidos e decididos sem desperdício de tempo;  b) Protocolo leonístico: Envolve o respeito às normas de protocolo e a ordem de precedência, essenciais para manter o decoro e o reconhecimento dos associados;  c) Engajamento:  O Manual de Reuniões Bem-Sucedidas sugere que o líder deve incentivar a participação de todos, usando quebra-gelos e reforçando a missão do clube para manter o entusiasmo dos seus voluntários.

 

            GESTÃO SE CONFLITOS.  Conflitos são vistos como inevitáveis em grupos diversos, mas o líder leonístico deve atuar como mediador para evitar que disputas pessoais prejudiquem o serviço comunitário.  E isso é conseguido através de:  a) Resolução proativa: O objetivo é resolver divergências de forma respeitosa e justa antes que escalem para instâncias formais;  b) Abordagem colaborativa:  O Lions incentiva a estratégia de colaboração, onde as partes exploram opiniões para encontrar soluções mutuamente aceitáveis, fortalecendo a união do clube;  c) Procedimento de resolução de disputas: Para casos graves, o líder deve conhecer o Estatuto e Regulamentos, que prevê um rito formal de conciliação para proteger a integridade da nossa Associação.

 

5.     O EXEMPLO PESSOAL DE UMA LIDERANÇA:

 

            Para um líder leonístico, o exemplo pessoal é o fundamento da liderança.  Significa que a autoridade não advém do cargo ou de ordens, mas da coerência entre o discurso e a prática.  Os pilares desses conceitos dentro de Lions Internacional incluem:  a) Liderança servil:  O líder é o primeiro a servir.  Ele inspira os outros ao participar ativamente das ações de serviço, demonstrando que o “Nós Servimos” é um compromisso pessoal antes de ser um lema organizacional;  b) Humildade e empatia: A liderança leonística começa com a disposição de “ajoelhar-se para lavar os pés”, focando no bem-estar da comunidade e dos associados do Lions em vez de buscas status;  c) Integridade e ética:  Manter uma conduta irrepreensível que gere confiança.  O exemplo pessoal serve como um guia para que os demais associados vivam o Código de Ética e os Propósitos da nossa Associação;  d) Influência por comportamento:  Em vez de usar autoridade formal, o líder motiva a equipe através do seu próprio entusiasmo, dedicação e prontidão para enfrentar desafios;

 

            Resumindo, ser um exemplo pessoal no Lions é transformar os valores da nossa organização em ações visíveis, servindo de inspiração para que os outros associados também queiram fazer a diferença.

 

            Para finalizar, no contexto leonístico o termo “LIDERANÇA” expande-se para além do conceito empresarial.  Significa dar poder aos voluntários.  Enquanto a gestão cuida da logística (prazos, relatórios, finanças), a liderança foca nas pessoas: em como mantê-las motivadas e unidas pelos laços de companheirismo para que a ajuda chegue a quem precisa.

 

            Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

(*)          Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista

                Ex-Governador 1997-1988 do Distrito L-17 (atual LC-6)

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com




terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

DIVERGÊNCIAS NO RELACIONAMENTO HUMANO SEMPRE EXISTIRAM E, NO

LIONS, NÃO É DIFERENTE!

 

PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI (*)

 

            “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho... mas não o detesto.”

 

            A frase acima é atribuída a José Marti (1853-1895), poeta, pensador e herói nacional de Cuba (foi o principal arquiteto pela independência daquele país contra o domínio espanhol).  Ela reflete a filosofia daquele líder sobre o perdão e a preservação da própria paz interior: a ideia de que devemos nos proteger do mal e de quem nos fere, mas sem permitir que o ódio ou o rancor tomem conta dos nossos corações.

 

            A citação completa daquele pensador é:  “Se um espinho me fere, afasto-me do espinho, mas não o odeio.  Se a mão me golpeia, afasto-me da mão, mas não a detesto.  Se o homem me ofende, afasto-me do homem, mas não o amaldiçoo.”

 

            O ato de “afastar-se do espinho” é um imperativo existencial.  Filosoficamente, isso se alinha ao esforço natural de toda pessoa para preservar em seu próprio ser, evitando o que lhe causa diminuição e tristeza.  Marti sugere que a virtude não está em suportar o sofrimento desnecessário, mas na sabedoria de identificar o que nos fere e estabelecer uma distância saudável.

 

            A parte final (“mas não o detesto”) é onde reside a profundidade estóica da frase.  O ódio e o ressentimento são vistos como venenos que consomem aquele que os carrega, e não o objeto do ódio.  Ao não detestar o espinho, a pessoa aceita a natureza do outro e preserva a paz interior.

 

            Para Marti, a alma deve permanecer pura mesmo diante da agressão.  Detestar o espinho seria permitir que o mal externo corrompesse a sua integridade interna.  Ele nos ensina, com isso, que a maior vitória sobre quem nos fere não é o revide, mas a indiferença benevolente; é a capacidade de seguir adiante intacto, sem permitir que a dor se transforme em amargura.

 

            As divergências são elementos fundamentais da experiência humana, surgindo da interação entre indivíduos com perspectivas, valores e história de vida distintos.  Isso propõe uma mudança de postura: em vez de lutar contra a existência do desacordo, deve-se focar em desenvolver habilidades de comunicação e mediação para que essas diferenças sejam construtivas, e não destrutivas.

 

         Divergências sempre ocorreram, ocorrem e ocorrerão no relacionamento humano, pois são inerentes ao dia-a-dia de todos.  E raramente isso deixa de acontecer, seja no âmbito familiar, entre amigos ou no ambiente de trabalho.

 

         No meio da família leonística tal fato não é exceção, mormente levando-se em conta que Leões e Domadoras possuem meio de vida e atividades heterogêneas, têm convicções próprias, e muitos exercem liderança em suas profissões, o que quer dizer que costumam conduzir e não serem conduzidos.

 

         Dessa forma, quando um não aceita serenamente ou respeita a opinião do outro o relacionamento pode estremecer.  Discussões sobre questões leonísticas são absolutamente normais, quer envolvam problemas administrativos ou de atividades.  Só que qualquer discussão deve ser mantida em nível elevado, não partindo jamais para o terreno pessoal.

 

         Já ouvi e até participei de muitas discussões, algumas homéricas (e, hoje, como me arrependo!).  Quantas vezes uma velha amizade não é estremecida por pura insensatez e culpas recíprocas?  Basta um Leão proferir uma frase infeliz e melindrar outro Leão.  Este, por sua vez, não se contém e revida o insulto.  Pronto, está formada a indesejável contenda!  É o surgimento de conflitos interpessoais dentro de um Lions Clube, destacando como a falta de temperança e o orgulho podem ferir a harmonia leonística.  O leonismo é fundamentado no companheirismo e no serviço desinteressado.  No entanto, essa harmonia pode ser fragilizada.  Um comentário impensado (“frase infeliz”) pode romper o equilíbrio, revelando que, antes de serem Leões, os membros do clube são seres humanos suscetíveis a erros de julgamento ou comunicação.  O cerne da contenda não está apenas em quem ofende, mas na reação do ofendido.  Quando o ofendido não se contém e revida, ele abandona nosso Código de Ética, que prega paciência e compreensão.  O revide transforma um deslize individual em um conflito bilateral.  A indesejável contenda é o resultado de um ciclo:  a) A ofensa (muitas vezes não é intencional, mas nasce da falta de tato);  b) O melindre (Ocorre quando o ego se sobrepõe ao propósito do clube);  c) A retaliação (O momento em que a ética leonistica é esquecida em favor da justiça própria).  Quando uma contenda se instala, o foco do serviço humanitário é perdido.  A energia que deveria ser canalizada para ajudar a comunidade é desperdiçada em discussões internas, fofocas e divisões de grupos, o que pode levar a uma desmotivação geral.  O significado central do que aqui está exposto é um alerta para a necessidade de autoeducação e do auto controle.  No leonismo, ser Leão exige nobreza de saber ouvir sem revidar e a humildade de saber pedir desculpas por uma frase infeliz.  A verdadeira força de um Lions Clube não está na ausência de atritos, mas na capacidade dos seus associados se superarem em nome de um bem maior.

 

         Outras vezes não há nem necessidade da discussão para que a polêmica seja aquecida.  Basta que o procedimento de um Leão seja colidente com a posição do outro, mormente quando aquele já conhecia a postura deste.  Pronto, o “caldo certamente vai engrossar”!   Como agir?  Simples!  Ou aquele primeiro se desculpa ou justifica, e este último releva a atitude, perdoa e esquece; ou, agindo como o autor da frase que dá origem a esta mensagem, afasta-se e não guarda rancores.  Fazendo isso, evita que os demais membros da família leonística tomem conhecimento do ocorrido e passem a se envolver na disputa.  Ademais, essa situação aborda a sensibilidade das relações interpessoais dentro do clube, destacando que o conflito não nasce apenas do debate direto, mas da atitude.  A polêmica aqui mencionada surge no momento em que um associado adota um procedimento que ignora ou desafia frontalmente a posição já estabelecida por um outro Leão.  Isso sugere uma quebra de ética e de companheirismo, pois a ação passa a ser interpretada como uma afronta deliberada ou desrespeitosa à convicção alheia.

 

         A sabedoria do nosso “Código de Ética do Leão” (“ser comedido na crítica e generoso no elogio; construir e não destruir.”) tem, certamente, tudo a ver quando um espinho fere alguém.

 

         O objetivo desta mensagem é um alerta sobre o respeito mútuo que deve existir dentro do movimento leonístico, sugerindo que a ação de um dos seus membros deve considerar o impacto das suas manifestações sobre os demais, principalmente para evitar polêmicas que podem paralisar o nosso serviço comunitário.

 

         Um fraterno abraço leonístico a todas e a todos.

 

 

(*)       Associado do Lions Clube de Ribeirão Preto-Jardim Paulista (LC-6)

                Ex-Governador 1997-1998 do Distrito L-17 (atual LC-60

                Membro da AGDL-Associação dos Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil

                Confrade do APLIONS-Apaixonados por Lions

                E-mail:  andriani.ada@gmail.com