O CONCEITO DE “PERTENCIMENTO’
DENTRO DO MOVIMENTO LEONÍSTICO
PDG MJF ANTONIO DOMINGOS ANDRIANI
(*)
Como
conceituação geral na sociedade, PERTENCIMENTO é a necessidade emocional
e social de uma pessoa de se sentir parte de alguma coisa maior como um grupo,
comunidade ou sistema (como família, amigos e ambiente de trabalho). Não é apenas estar incluído em um
espaço, mas sim sentir-se aceito e valorizado pela sua essência individual.
O
termo despertou minha curiosidade e, como garimpeiro do leonismo, fui atrás de
escritos e pesquisas a respeito.
Descobri que existem alguns pontos para definição desse conceito de
pertencimento: 1) Identidade e
conexão; 2) Acolhimento versus
exclusão; 3) Papel social; 4) Saúde mental.
IDENTIDADE
E CONEXÃO:
No
contexto de pertencimento, esses dois termos funcionam como os pilares que
sustentam nossa relação com um grupo ou lugar.
A
identidade (ou “quem sou eu” no grupo) é o alinhamento interno. Significa que você se reconhece nos valores,
na história ou nos objetivos daquela comunidade. É sentir que você não precisa atuar ou
esconder para ser aceito. Exemplo: você
se sente parte de um grupo de artistas porque compartilha a mesma visão do
mundo e paixão pela criação.
A
conexão (ou “como eu me ligo aos outros”) é o vínculo externo e prático. É a qualidade das interações, o suporte mútuo
e a sensação de que você é visto e ouvido.
Exemplo: não basta ser artista
(identidade); você precisa trocar ideias, colaborar e sentir que os outros
membros se importam com você (conexão).
Enquanto
a identidade é sobre semelhança, a conexão é sobre relacionamento. O pertencimento real só acontece quando os
dois se cruzam: você se identifica com o
grupo (identidade) e sente que tem laços reais e significativos com as pessoas
(conexão
ACOLHIMENTO VERSUS
INCLUSÃO:
Dentro
do conceito de pertencimento, esses dois termos representam os polos opostos da
experiência social de um individuo em um grupo.
Acolhimento
é o movimento de abertura e validação.
Significa que o grupo não apenas aceita a presença da pessoa, mas
valoriza sua identidade e contribuições.
Para o indivíduo é a sensação de que “eu sou visto, ouvido e seguro para
ser quem eu sou”. O efeito gera
segurança psicológica, aumenta a autoestima e fortalece o vínculo emocional com
o coletivo.
Exclusão
é o movimento de rejeição ou invisibilidade.
Ocorre quando o grupo impõe barreiras (explicitas ou sutis) que impede o
indivíduo de se sentir parte do todo. É
aquela sensação de “eu não sou bem-vindo” ou “eu preciso me anular para estar
aqui”. O efeito provoca isolamento,
ansiedade e, em níveis biológicos, ativa as mesmas áreas do cérebro
responsáveis pela dor física.
O
pertencimento só é pleno quando há acolhimento.
Se você está dentro de um grupo, mas não é acolhido, vive uma exclusão
interna que costuma ser tão dolorosa quanto ser deixado do lado de fora.
PAPEL
SOCIAL:
No
contexto do pertencimento, o papel social é a função ou personagem que você
assume dentro de um grupo. É o conjunto
de expectativas, direitos e deveres que os outros esperam de você.
O
funcionamento dessa relação funciona da seguinte forma:
1.
Quando você desempenha bem o seu papel (seja como amigo conselheiro,
líder técnico ou caçula da família), o grupo valida sua presença.
2. Sentir que seu papel é necessário gera a
sensação de que você é uma peça essencial na engrenagem daquele coletivo.
3. O papel social serve como uma
ponte. Se você sabe o que se espera de
você e o grupo entende o seu lugar, o sentimento de fazer parte (pertencimento)
se fortalece.
Em síntese, o papel social
é como você contribui, e o pertencimento é o sentimento de ser aceito através
dessa contribuição.
SAÚDE
MENTAL:
Dentro
do conceito de pertencimento, a saúde mental significa a percepção subjetiva de
estar conectado a grupos, lugares ou propósitos, sentindo-se aceito, respeitado
e valorizado por quem você é. O
pertencimento atua como um pilar fundamental da estabilidade emocional,
funcionando como um fator de proteção contra o estresse, a ansiedade e a
depressão.
O “PERCENTIMENTO” NO LEONISMO
Existem inúmeros
conceitos, considerações e comentários a respeito da inserção do tema “pertencimento”
dentro das atividades do movimento leonístico.
Um
deles, dos mais importantes, é que o tema pertencimento é o coração da retenção
e do impacto em um Lions Clube. No
contexto leonístico, pertencer vai além de ter um “Pin” na lapela; trata-se da conexão emocional onde o
associado se sente visto, valorizado e essencial para a nossa causa.
E
existem várias fases sobre como desenvolver esse conceito dentro das atividades
do clube: o pertencimento como alicerce;
a inserção nas atividades práticas; as barreiras a combater e o orgulho de ser
Leão.
Para
um Leão, o pertencimento nasce da tríade identidade, propósito e amizade. Quando um associado sente que o grupo
compartilha seus valores e que sua ausência seria notada, o compromisso com o
serviço voluntário torna-se natural e duradouro.
No
Lions Clube, o pertencimento como alicerce refere-se à transformação do clube
de um simples grupo de reuniões em uma comunidade de conexão e impacto. É o conceito de que o clube deve ser um
ambiente onde os associados sintam que sua presença faz diferença e que seu
tempo é valorizado, servindo como um terceiro espaço entre a casa e o trabalho.
No
contexto de um Lions Clube, a inserção nas atividades práticas refere-se ao
envolvimento direto e imediato do associado (especialmente o novo associado)
nas ações de serviço humanitário e projetos comunitários da nossa Associação. Em vez de se limitar a reuniões
administrativas, a inserção prática busca transformar o ideal de voluntário em
resultados concretos para a comunidade.
O
sentimento de pertencimento é quebrado quando surgem “panelinhas”, falta de
transparência financeira ou quando as tarefas ficam concentradas em poucas
pessoas. O Lions deve ser um espaço de
liderança rotativa e inclusiva. Por esse
motivo, dentro de um Lions Clube as barreiras a combater referem-se aos
desafios globais e sociais que impedem o bem-estar e o desenvolvimento das
comunidades. Nossa organização foca seus
esforços em remover obstáculos que afetam a saúde, a dignidade humana e a
inclusão social.
Quando
o pertencimento é trabalhado, o resultado é o orgulho. Um associado que pertence não “vai à
reunião”; ele é um Leão em tempo
integral. E isso atrai novos membros
organicamente, pois o entusiasmo é contagiante.
No Lions Clube, o termo “Orgulho de ser Leão” representa a satisfação e
o compromisso ético do associado em pertencer ao maior movimento de serviço
voluntário do mundo. Ele é um sentimento
compartilhado que dignifica o trabalho humanitário e a liderança comunitária.
Um
outro conceito, dos mais significativos, é que no movimento leonístico o
pertencimento é o sentimento de conexão emocional e propósito compartilhado que
um associado desenvolve em relação ao seu clube e à nossa organização
global. E isso é baseado em três pilares
principais: identidade e propósito; acolhimento e companheirismo; voz e
participação.
Em
nosso movimento, o pilar de identidade e propósito foca na compreensão clara de
quem é o Leão e porque ele serve. O Leão
não apenas “está” no clube, ele “é parte de algo maior”. O sentimento surge quando o associado percebe
que seu trabalho voluntário gera um impacto real e que ele compartilha os
mesmos valores éticos de servir.
Essencialmente, o objetivo é garantir que cada associado não apenas
“esteja” no clube, mas se veja como
parte fundamental de uma missão maior.
O
Lions enfatiza que o clube deve ser uma extensão da família. O pertencimento é fortalecido pelos laços de
amizade e pelo suporte mutuo entre os companheiros durante as atividades
sociais e o serviço. Em nosso movimento,
o pilar de acolhimento e companheirismo é fundamental para o senso de
pertencimento e para a sustentação da missão de servir. Ele não é apenas um conceito social, mas um
dos propósitos estatutários da nossa organização, que visa unir os associados
através de laços de amizade e compreensão mútua. Esse pilar garante que os associados se
sintam valorizados e motivados, sendo um dos principais motivos pelos quais as
pessoas permanecem no Lions após de associarem.
Um
associado sente que pertence quando é ouvido, quando suas ideias são
valorizadas e quando ele tem um papel ativo nas decisões e projetos do
clube. Dentro da estratégia de
pertencimento do Lions, o pilar voz e participação foca em garantir que cada
associado seja envolvido nessas participações.
Essa estratégia faz parte da “Abordagem Global do Quadro Associativo”
de Lions Internacional, que visa motivar os associados existentes por meio de
um ambiente inclusivo onde todos tem voz.
Existe
um outro conceito, igualmente importante, onde se afirma que, no movimento
leonístico, o pertencimento é o elo que transforma o voluntariado individual em
uma força coletiva fraterna. Essa
conexão baseia-se na transição de ser apenas um “grupo de reuniões” para se
tornar em uma comunidade de propósitos.
E os principais pontos dessa conexão incluem: identidade e missão
compartilhada; companheirismo e amizade; impacto emocional e orgulho; cultura
de família.
O
lema “Nós Servimos” cria um senso de unidade. Ao agir sob esse propósito comum, o associado
deixa de ser um voluntário isolado para se tornar parte de uma rede global que
engaja mais de 1,4 milhão de Leões. Em
nosso movimento, o conceito de identidade e missão compartilhada é o que
transforma um grupo de voluntários em uma unidade coesa. É o DNA que faz com que um Leão se reconheça
em outro, independentemente do país ou cultura.
O
pertencimento é reforçado pelos liames da amizade e pela compreensão
mútua. O ambiente do clube é desenhado
para ser um espaço acolhedor entre a casa e o trabalho, onde a presença de cada
membro é valorizada. O companheirismo e
a amizade não são apenas consequências sociais, mas a base fundamental que
sustenta e serviço comunitário. No
Lions, a amizade é o meio e o serviço é o fim.
Pesquisas
já realizadas por Lions Internacional indicam que cerca de 90% dos seus
associados sentem esse senso de pertencimento, o que eleva a autoestima e gera
orgulho por meio de projetos que beneficiam a comunidade local. O conceito de impacto emocional e orgulho é o
motor que transforma o serviço voluntário em uma experiência de pertencimento
profundo. Ele se baseia na conexão entre
a ação externa (ajudar o próximo) e a transformação interna do associado.
Nosso
movimento se descreve frequentemente como uma “família fraterna”, onde um ajuda
o outro, criando conexões que transcendem as atividades de serviço. O conceito de cultura e família é o alicerce
que transforma o serviço voluntário em um senso de pertencimento. Ele não se refere apenas ao parentesco
biológico, mas a um ambiente de valores compartilhados.
Fortalecer
o senso de pertencimento em um Lions Clube exige integrar o propósito de servir
com a valorização individual de cada Leão.
Segundo orientações de Lions Internacional e práticas de gestão de
voluntários, o foco deve estar em fazer com que o associado se sinta parte de
uma família que gera impacto real.
Um
fraterno abraço leonístico a todas e a todos.
(*) Associado do Lions Clube de Ribeirão
Preto-Jardim Paulista
Ex-Governador 1997-1988 do
Distrito L-17 (atual LC-6)
Membro do Conselho de
Ex-Governadores do Distrito LC-6
Associado da AGDL-Associação dos
Governadores dos Distritos Múltiplos “L” Brasil
Confrade do APLIONS-Apaixonados
por Lions
E-mail: andriani.ada@gmail.com
https://distritolc6.org.br/instrucoes-leonisticas/o-conceito-de-pertencimento-dentro-do-movimento-leonistico/


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